segunda-feira, 20 de julho de 2015

o que se passa nas tuas lembranças
das tuas coisas
como as imagino daqui

como através de um sufrágio,
de quando encomendei homenagens
ou uma canga imitando toalha de mesa
e baloiçando ao vento de uma tarde
cheia de sintomas de chuva

como tudo o que vacila

todas as vacinas que deixei de tomar enquanto criança

como a imagino daqui, ameaça direta, dileta
como os livros que posso vir a deixar de ler

carrapato dos animais de minha casa
mato que nasce entre os paralelepípedos
tuas mulheres na cadeira de dragão
e depois
comendo tudo

e continua

terça-feira, 7 de julho de 2015

as urgências vivas se apresentam
na madeira compensada da porta
quando a observo, ao acordar vertiginoso, tentar respirar

no ferro de passar roupas
rangido da mesa, cheiro de amaciante evaporado
no uniforme cinza do meu pai

num desonrado passeio no pensar,
esquecendo o que foi dito
no reticente cuspe retórico
"quando se morre de acidente [...]
[...]"

essas urgências vivem
nesse silêncio-alívio
no entortar da boca,
levantar de ombros

onde me retiro