quarta-feira, 27 de abril de 2016

urubus passeiam descrevendo movimentos planos
no céu das oito e catorze da manhã
e com a lua ainda no céu
no meu caminho do oeste

então reconheço o asfalto
essa fricção
asfalto, assento, calça jeans, clitóris

chego ao projeto de morte

sem lua,
nuvem
ou cobras atropeladas
o enfeite pendurado
num teto em maceió
com origamis e miçangas laranjas
unidos em nylon e papéis
paralisa

pesquiso o origami tsuru
que é o japão que vou
sempre à hora de ver o longe ou ao teto

pela minha falsa descendência que,

sem a miopia
não existiria

mas para aonde vou sim,

a cada mil anos

terça-feira, 12 de abril de 2016

ouço na música a solidão do vaqueiro
entre os bois

a estrela solitária no anel de xangai

e essa vergonha de ser do litoral
que só tenho o mar


não tenho mais meu monte dourado

só o vento batendo
na mesa de centro
vento que cobre o vidro do perfume barato
mas que cheia paris

e o ventilador ventila
desde quando o amor sentava nas cadeiras
com almofadas que lembram a amazônia

...

o vento oscila o perfume
como o mar

...

matança devia ser uma palavra bonita,

na verdade
como tudo em mim que parecia inexistir
como na caatinga do sertão o retrato
grava morte

mas é vida

tal qual esta que,
você de mãos finas
arou

casa
de ciganas que sabiam amar

e todas elas eram eu

e cantarolo
kukukaya, eu quero você aqui