quinta-feira, 25 de agosto de 2016

tem dias que colocar os óculos
é pior que a expectativa de quando os recolho após sua derrubada no chão
pois todo mundo merecia ver as luzes dos postes das cidades
que estão à beira da BR
com uma miopia de mais de 6 graus

vê-se desde o o ícone do modo gelo dos controles de ar condicionado moderno
até a planta clichê dente de leão
e então mandalas amarelas brancas verdes

então penso como tu tentas salvar-me dos conflitos terrenos
como os coqueiros à noite são ainda mais belos de se observar
e na promessa e desejo do bonsai dessa espécie
tentamos, mundanos

mas é só no tirar dos óculos e no olhar pro horizonte durante a noite
que me emociono, após poemas em branco
por quanto tempo?

o borrão que coteja uma fome de falar
mas sobretudo de ouvir
se estou perto ou longe de saltar do ônibus
e continuar correndo
longe,
pondera,
longo,

todo esse caminho
para o sal

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

"não choreis por mim; chorai antes por vós mesmos"
Lucas, da Bíblia, citado por Carolina de Jesus 
agora que tudo é uno
então que,
como tudo o que some
estão, também, a caneta da poesia e o estar só

vejo no alto da serra de santana a denúncia
do parque eólico preenchendo-a
[e a força da pedra que já não é só, pois a pedra de nascença entranha a alma? e a alma é outro]

ou na comida do dia,
a arbitrariedade do tabasco em todos os talos e o arroz
[tão ralos são os secos, cobertos de sua cor verde tabasco]

a solidão das coisas, tão violadas quanto a das pessoas
a imensidão das hélices em ponto de se tocarem,
tantos brincos sobre a serra
tanto verde sobre o árido
tanto, tanto


não choreis, pois
nunca uma lágrima vem só