ando com roupas
cobertas de vaidade
vulgar Afrodite
nisto, sou mulher
nos bons dias
gostaria de não vestir
o olhar de alguém
nisto, sou vulgar
então, quando penso
finjo criar condição
de dar forma à escrita
nisto, sou aqui
resultado de um
barulho nas costas
nos braços, em torno
d'um intrínseco e
descompreensivo,
fiasco.
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
Abri uma cerveja hoje. Bem sozinha em casa, com companhias em perspectiva mas, a opção mais sensata é a de estar sozinha. Então, abro aquela cerveja há tempos mofada da geladeira. Cerveja comprada para se dividir, não pra se embriagar, nem pra viajar. Se existe categorias divididas por quantidade de cerveja, essa estaria incluída na de apenas relaxar. Dar sono. Mas não pude dividir, não pude compartilhar o pão. Sem querer, embriaguei-me. Também não com gosto de loucura, não foi disso. Chorar sozinha também é questão de loucura, se pensarmos bem. Mas não foi. Eu vario das ideias, como diz minha mãe Neste fatídico dia, a cerveja estava com gosto de saudade. Arrebatadora e cruel. Assim, pude esboçar uns versos, que foram esses;
a lucidez no copo
polarizada
o amor em cheque
inimigo
o estouro das pálpebras
salgado
a consciência louca
algazarra
o verbo ambíguo
apaziguar
a ebriedade mórbida
cerveja
ele não sabia
mas ele tinha que saber
Depois dessa, eu preciso adormecer...
quarta-feira, 21 de novembro de 2012
terça-feira, 16 de outubro de 2012
Aspas
Olhos no teto, a nudez dentro do quarto; róseo, azul ou violáceo, o quarto é inviolável; o quarto é individual, é um mundo, quarto catedral, onde, nos intervalos da angústia, se colhe, de um áspero caule, na palma da mão, a rosa branca do desespero, pois entre os objetos que o quarto consagra estão primeiro os objetos do corpo.
Raduan Nassar, Lavoura Arcaica p.7
Raduan Nassar, Lavoura Arcaica p.7
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
Aspas
Muros
Sem piedade e sem pudor, sem dó e sem cuidado
à minha volta espessos muros tão altos quem teceu?
E eis-me agora aqui na sorte a que fui dado,
em mais não penso: não me sai da ideia o que aconteceu.
Lá fora há tanto que fazer - tanto ruído!
E, se estes muros construíram, porque não dei por tal?
Não ouvi de pedreiro nem voz nem ruído
E sem saber fiquei fechado, sem vista e sem portal.
(Konstantinos Kaváfis)
haikais
I
natureza lenta
no leve sono diário
de vida desperta
II
céu retangular
sala de espera abafada
jardim trepadeira
III
flores invisíveis
virtuais e coloridas
borboletas mortas
IV
cana-de-açúcar
incendiária do corpo
doce desperdício
V
células humanas
há décadas recicladas
como todo lixo
VI
raiz principal
de prática não pensada
sobre um poste elétrico
*inspirado no filme waking life, de richard linklater
segunda-feira, 24 de setembro de 2012
Primavera do fim dos ventos
Do fim dos tempos
Profecia cantada como mantra
De setembro ao calor
Às flores, doce vozear
Organismos puros
Tocados de sensações
Herdeiros do inverno
Corredores no ar
Humanos e as ideias
Correntes, vertentes
Fluentes do verbo
Polinizar
Sejam as ideias assim
O lado másculo,
Da formosa e imaculada,
À terra fecundar
Profecia cantada como mantra
De setembro ao calor
Às flores, doce vozear
Organismos puros
Tocados de sensações
Herdeiros do inverno
Corredores no ar
Humanos e as ideias
Correntes, vertentes
Fluentes do verbo
Polinizar
Sejam as ideias assim
O lado másculo,
Da formosa e imaculada,
À terra fecundar
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