"Ria, e o mundo ri com você. Chore, e irá chorar sozinho"
sexta-feira, 11 de janeiro de 2013
quinta-feira, 10 de janeiro de 2013
last nite
alter ou alguma outra
definição que, às 4a.m.
sempre posso ouvir
-chore, sim,
mas chore pois os olhos
não precisam suportar
o deserto das almas,
do mundo
a umidade não carrega mágoa
como dizem
o que tu alivias
definição que, às 4a.m.
sempre posso ouvir
-chore, sim,
mas chore pois os olhos
não precisam suportar
o deserto das almas,
do mundo
a umidade não carrega mágoa
como dizem
o que tu alivias
a cidade me aconselha
-que chores
ao ouvir o passaredo
na sua alvorada insone
acordando o sol
enquanto sonham
e que não evites
escutar o solene som
do teu próprio
choro
o oráculo ao lado diz
-ame a sua solidão
grande amigo,
sinto muito
mas não posso, pois,
no momento, ouço a cidade
então só amo,
a minha canção
domingo, 6 de janeiro de 2013
O Sétimo Selo, 1957, Ingmar Bergman
"- Eu vivo agora em um mundo de fantasmas, um prisioneiro em meus sonhos.
- Ainda assim, você não quer morrer.
- Sim, eu quero.
- O que você está esperando?
- Conhecimento.
- Você quer uma garantia.
- Chame do que você quiser.
- É tão difícil conceber Deus com os sensos de uma pessoa? Por que ele tem de se esconder numa neblina de vagas promessas e milagres invisíveis? Como iremos acreditar nos que acreditam quando não acreditamos em nós mesmos? O que será de nós que queremos acreditar, mas não podemos? E quanto àqueles que não podem ou não irão acreditar? Porque não posso matar Deus dentro de mim?
Por que ele vai vivendo em um sofrido, humilhado jeito? Eu quero tirá-lo do meu coração, mas ele ainda continua em uma realidade assustadora que eu não posso me livrar. Está me ouvindo?
- Estou te ouvindo.
- Eu quero conhecimento. Não crença. Não suposições. Mas, conhecimento.
Eu quero que Deus ponha sua mão, mostre seu rosto, fale comigo.
- Mas ele é mudo.
- Eu choro para ele no escuro, mas parece não ter ninguém lá.
- Talvez não tenha ninguém lá.
- Então a vida é um terror sem sentido. Nenhum homem pode viver com a Morte e saber que tudo é nada.
- A maioria das pessoas não pensam nem na morte ou no nada.
- Até que eles chegam no final da vida e vêem a escuridão.
- Ah, esse dia.
- Eu percebo.
- Devemos fazer do nosso medo um ídolo e chamá-lo de Deus.
- Você não é fácil."
sexta-feira, 21 de dezembro de 2012
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
-ssemos
imagina se pudéssemos escrever sobre as coisas simples?
sobre o passarinho que desenha sua rota no ar?
as pequenas flores dos canteiros?
imagina se tivéssemos que ter escrito "eles passarão, eu passarinho"? quintana é o gênio, nós estamos nos afundando...
se escrevêssemos sobre flor seria da rafflesia arnoldii
se fosse de pássaros seria de qualquer espécie no mínimo estranha.
se escrevêssemos não para constituir versos ou rimas.
se nos identificássemos. se nos encontrássemos.
e misturássemos os rascunhos deixados de lado por aparentarem o ridículo intrínseco da alma.
criássemos nova literatura;
saíssemos nos deleitar com toda a estranhice
que é a calmaria
a calmaria é o estranho do mundo
imagina se bebêssemos
todas as safras de vinho
e morrêssemos sorrindo
se comungássemos o nosso corpo
tão batido e conhecido por nós
imagina se ultrapassássemos essa instância
essa distância
esses versos
essa vida
e escrevêssemos o que imaginássemos
...
triunfaríamos...
terça-feira, 11 de dezembro de 2012
ando com roupas
cobertas de vaidade
vulgar Afrodite
nisto, sou mulher
nos bons dias
gostaria de não vestir
o olhar de alguém
nisto, sou vulgar
então, quando penso
finjo criar condição
de dar forma à escrita
nisto, sou aqui
resultado de um
barulho nas costas
nos braços, em torno
d'um intrínseco e
descompreensivo,
fiasco.
cobertas de vaidade
vulgar Afrodite
nisto, sou mulher
nos bons dias
gostaria de não vestir
o olhar de alguém
nisto, sou vulgar
então, quando penso
finjo criar condição
de dar forma à escrita
nisto, sou aqui
resultado de um
barulho nas costas
nos braços, em torno
d'um intrínseco e
descompreensivo,
fiasco.
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
Abri uma cerveja hoje. Bem sozinha em casa, com companhias em perspectiva mas, a opção mais sensata é a de estar sozinha. Então, abro aquela cerveja há tempos mofada da geladeira. Cerveja comprada para se dividir, não pra se embriagar, nem pra viajar. Se existe categorias divididas por quantidade de cerveja, essa estaria incluída na de apenas relaxar. Dar sono. Mas não pude dividir, não pude compartilhar o pão. Sem querer, embriaguei-me. Também não com gosto de loucura, não foi disso. Chorar sozinha também é questão de loucura, se pensarmos bem. Mas não foi. Eu vario das ideias, como diz minha mãe Neste fatídico dia, a cerveja estava com gosto de saudade. Arrebatadora e cruel. Assim, pude esboçar uns versos, que foram esses;
a lucidez no copo
polarizada
o amor em cheque
inimigo
o estouro das pálpebras
salgado
a consciência louca
algazarra
o verbo ambíguo
apaziguar
a ebriedade mórbida
cerveja
ele não sabia
mas ele tinha que saber
Depois dessa, eu preciso adormecer...
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