eis a frase que vem
neste lapso de sono
durmo e talvez como
sei e talvez nem
anoto como benjamin
sobre o que irene vê
é apenas para fazer
"temo" foi dele
"guerra" foi meu
e ainda teve um a mais
"no santuário"
espósito
você não pensou
que seria de propósito?
um a e eis tua poesia
e qual letra é a minha?
guerra no santuário
serei sempre o solitário
ou talvez uma rainha?
quarta-feira, 18 de dezembro de 2013
ná.
tou meio assim
marrom
sem a palavra una
om
sem a palavra nua
mar
que é meio assim
na
dar o que nem sei
planta
sem que assim seja
tanta
manta
que se dá
e ná.
marrom
sem a palavra una
om
sem a palavra nua
mar
que é meio assim
na
dar o que nem sei
planta
sem que assim seja
tanta
manta
que se dá
e ná.
sábado, 23 de novembro de 2013
Inverno, Adriana Calcanhotto
"Lá mesmo esqueci que o destino
Sempre me quis só
No deserto sem saudade, sem remorso só
Sem amarras, barco embriagado ao mar"
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
terça-feira, 5 de novembro de 2013
poema de amor: só amanhã
ao lado incessante
um telefone toca
eu tenho pena
desaventurado
enquanto escrevo
trabalho
de amor num poema
eu moldava para não
ser mal dito
mas hoje não deu
desculp'eu
hoje hesito
desculp'eu
hoje hesito
O pôster dos Beatles
O pôster dos Beatles quase não me deixa dormir. Sobre meus livros encaixotados e preso em um quadro herdado. Ventilador soa mal quando, de encontro com folhas, as faz se mexerem. Tudo isso é no contra-turno comercial, quando já próximo ao despertar, pelo tempo escoado pelos minutos letárgicos de fazê-lo parar. A preguiça que alimenta imobilidades quaisquer, a não ser o virar de cabeça. Enquanto isso, adormecer se torna novela em seu último capítulo: um drama à parte.
O pôster dos Beatles, aquele que nunca emoldurei (pobre Ringo, George, Paul e John). Que, de marcas amassadas, está cheio. Ontem quase não me deixou dormir. Falando em dormir, coisa rara nesses tempos, há alguns minutos bastava a visão de uma rede para eu adormecer.
A letargia infantil, mote de qualquer ser grande, dormir como anjo. Vejo bebês adormecendo dentro dos carros, nos colos em fila de banco barulhento. Vejo amigos cheio de olheiras por mais de um dia sem um cochilo sequer. Vejo que o pôster dos Beatles me manteve acordada. Não vejo muito bem o porquê de sons tão amigáveis não me fazeram pregar os olhos. Vejo minha imobilidade como proposital, neste caso.
O pôster dos Beatles que eu nunca mais vou emoldurar. Nem pregar na parede com tanto orgulho. Pôster que fez meu inferno, com pessoas que já me iluminaram. Preguiça que toma pelos pés a esperança. Preguiça que contamina não só eu ao dormir. Pena que eu não dormi.
Todo mundo tem um pôster.
Dos Beatles ou dos Novos Baianos.
Dos Beatles ou dos Novos Baianos.
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