segunda-feira, 24 de novembro de 2014

II

meu coração é como uma caixa de pandora
pouco aberta, pouca fuga
sob tuas mãos as pedras
sobre o branco das palmas
o negro do dorso
tuas mãos na iminência da abertura desta caixa
a mimese de puxadores de gaveta
das fechaduras de cofres

as pedras sob tuas mãos:
só vestígios do elemento último
indícios do antigo receptáculo de luz

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

esquizo-blablablá/ notas sobre os sonhos II... etc

ix.

acordei com a sensação de ter atravessado um portal, fenda ou janela de volta à quietude por não aguentar ouvir outras pessoas falando. elas tentavam fumar alguma coisa e a brasa nunca atiçava, sempre apagava, alguns tocavam instrumentos. depois de passar por essa janela, voltávamos por um caminho barrento cujas escadas eram formadas pela erosão natural que o solo passa. então, eu chegava em uma casa de praia, havia festa de mais um monte de gente que não vejo há anos. gostaria de lembrar do sonho anterior onde eu repousava com um copo em formato oval que armazenava uma bebida diferente ou azul, talvez me lembraria de algo com efeitos semelhantes à distância derradeira do box de um banheiro de universidade. quando nos voltamos aos outros. quando estamos sempre voltando.  voltando à contagem, à margem a se jogar...

x.

sonhei com um cachorro de algum amigo a abocanhar meu braço com uma leveza e peso suficiente para me imobilizar e não me machucar. eu estava em uma praia que costumava frequentar quando criança, via a antiga casa da família agora sendo frequentada por jovens cujos rostos reconheço da vida, de alguma noite. em um passeio, vi uma garota em torno dos seus seis anos de idade caminhando sozinha, pensando bem que ela se parecia comigo e lembro-me de questionar com alguém ao lado, olha ela é como éramos, então não ouve demonstração de identificação com aquela pequena garotinha, tropeçando só com a parte inferior das roupas íntimas, às vezes parece que crio uma vida que não tive, os meus seis furos na orelha todos fechados, os furos se fecham assim como as janelas das casas inutilizadas...

xi.

a avenida que beira o canal estava completamente escura e eu precisava me exercitar. uma escuridão total, luz alta no farol do carro e nem um palmo à frente podia se enxergar, então eu corria, corria em completo breu, às cegas, como quando não conseguimos ser outros...

xii.

não

xiii. 

sonhei estar numa praia, e isso tem sido deveras recorrente, não consigo discorrer sobre o porquê, só tem acontecido. entre desconhecidos e conhecidos, o mar bravo, quando vinham ondas maiores, ela invadia os cômodos da casa, com violência e voltava. voltávamos à vida corrente, sem a desordem e a morte por afogamento, ou por outro acidente doméstico. nisto, tinha um jazigo a ser cavado, mas ninguém o fazia, cujo corpo também não sei de quem era, talvez o meu. o tempo estava se esgotando. tempo para o que, não sei, mas tínhamos que abandonar tal casa, então eu no mezanino resolvia experimentar alguma droga alucinógena; nunca tinha feito isso e ninguém sabia que tinha feito naquele instante. comecei a ver as coisas de outras cores, os rostos variando entre o verde e o rosáceo, as vozes distorcidas, e vinha mais uma onda. ela vinha em câmera lenta, eu acreditava ser pela droga que havia usado. antes d'ela arrebentar em cima da casa novamente, eu conseguia fugir. antes disso, sonhei estar invadindo uma mansão em alguma outra praia!, me banhava em sua piscina até aparecerem alguns moradores e mais uma vez uma criança se assemelhava a mim. pedia que tirassem fotos, precisava provar, o homem gritava de dentro de uma janela fechada algo que eu só poderia concordar, ora mais, a casa tinha formato de navio, não sei onde estão as fotos,  estamos sempre em provação...


segunda-feira, 10 de novembro de 2014

deitar-se
em decúbito ventral
tendo à vista
um livro-grão
uma flor no pensamento

a flor se abre

(uma pupa amadurece)

deitar-me
e ter com o livro-pólen
o estame:
pequeno filho

sempre que sou outra
deito-me com esse tipo