quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Cometa

Cometo, competi. Advirto e admito!

Comigo, compilo.
Sendo assim, sou a junção de parte sua e parte minha. Sou o mundo em dedos e linhas tortas.
Aponto e afronto.
Apronto, réguas e ponteiros. Risquei!

Flutuo na cauda do cometa, rápido. Cometa, vai!
Mas não valerá a pena, e você é consciente.
Ciente. E sente.

Sente...
Sente....

Sentava.

Senão ainda mais sentido, esperava.

Não cometerá mais.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Um triz - 2

(...)

Sem controle, n'um segundo
Impediu o movimento
Apagara a luz do mundo
Respira, já passou
Torto já se olhou
Para o rosto coberto de vento

Que, sem direção
Sal, gosto ou expressão
Passou tão perto
Do arrepio aqui descoberto

E se foi
.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Um triz

Intusiasmo fugaz

Digladiando-se sob a pele

Instinto, aqui jaz

Percebes como era leve?

(...)

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Éden

Beleza simples, como um jardim florido. Nada fora do comum, só uma lua com um formato inusitado. Minguando para a cheia. Mais ampla impossível. Como aquele sorriso contido onde não desejava estar, entretanto ali estava. Com você numa eterna continuidade, pesado deveras a ponto de tornar-se leve como uma pena que escapa com um sopro gentil. Contraditório não é, real sim. Olha, você tem um mundo seu, com planetas em sua órbita. Quantos quiseres. Uma árvore com folhas brancas ou fluorescentes, assim como a espuma do mar a noite. Nossa herança é rica, tão doce quando o mel mais comum. Sem limite, sem corpo e nu. Sem pecado original, ora... onde já se viu? Dançando nas cordas daquele instrumento desafinado que toca os acordes mais lindos. Capazes de ecoar até nos lagos verdes cheios de vitória-régia por trás das montanhas. Entre as nuvens. Nós somos puros. Sem imposições de raízes fincadas. Aí, aconchego o sol nos olhos nesse nascer e morrer diário. No alaranjado, bordou-se um salto de golfinhos. Entre várias redes flutuando num descanso ventilado, confortável e sim, estrelado. Meu bem, nós só temos tudo isso pois nada disso nos possui. E porque não temos nada. Temos só o mundo sob os nossos corpos e gozaremos dessa eternidade enquanto ela durar.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Indireta

Ele finge a timidez
Diz que essa é a primeira vez
Ela ousa e pede foco
"Será que assim eu o sufoco?"

Situação banal
Adversários numa relação
D'um comportamento ideal
Para romper a ligação


Algumas intenções devem ser escancaradas deixando de lado as indiretas sutis. Aprenda a dizer o que você quer que os outros entendam. Uma vez que as deduções podem ser absurdamente contrárias.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Céus, ou seres

Cada indivíduo tem um endereço único n'um outro. Como se criasse uma identidade secundária, tal como você aparenta ser.
Fazendo uma analogia, digo que cada um é um lote do céu. E tudo isso cabe no espaço que chamamos de "vida acompanhada". Existem aqueles céus limpos que nos trazem calma, e os cinzas, pesados.
À qualquer hora, um céu carregado pode encobrir os belos. Aqueles do anoitecer e os estrelados.
Digo, como temos tempos inconstantes, isso é até comum. Ocupando o mesmo espaço, casualmente os deixamos lá para nos esconder do sol a pino.
Contudo, tendo o tempo uma vez fechado, o trabalho para abri-lo é dobrado.
Talvez um vento forte recheado de vontade. Ou aquela velha chuva pesada para secar as nuvens ajude. Antes a tormenta para após vir a calmaria que viver n'uma eterna ameaça de desabamento celeste.
Soluções que podem reparar, mas que também dependem muito da sua janela permanecer aberta.
Trocando em miúdos...
Uma vez notados os defeitos, diferenças e os conflitos de opinião. Outra vez irritado ou decepcionado, tendemos a esquecer que aquele sorriso foi um dia o mais bonito que você já viu.

E principalmente, o que um dia iluminou o seu lote.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Réplica

Duas vezes no mesmo dia disseram-me a mesma coisa. "Você deixou passar um acontecimento único na sua vida". Direito de resposta?

Deixei, não me arrependo. Deixei porque aceitei um conselho, porque quis ou sem um porquê. Deixei porque eu ainda tenho direito de escolher o que quero e o que não quero viver.
Deixei porque não sou tão facilmente sociável. Deixei pra poder ter o que me lamentar um dia.
Ou agradecer.
Porque era pra ser assim.
Porque também não era pra ser hoje.
Deixei, acima de tudo, porque todo dia é único na vida. Porque naquele ponto em que dei tchau escutando aquela música, despenteada, com frio e sozinha eu também vivi algo novo.
O fato de ser eu, o frio e a singularidade. O fato de ter escolhido deixar aquilo pra trás.

E não ter cedido à hostilidade.