segunda-feira, 11 de abril de 2011

Antirracional

De nada me lembro das rubras maçãs do rosto daquela noite de outubro nem das tardes de novembro cheias de flores porque era primavera mas as flores só nasciam dos seus cabelos e eu não lembro de esquecer portanto eu não lembro eu esqueço de lembrar de esquecer do long play arranhado sob a agulha que quando começa a repetir não para mais até deixar-me sem ar como nesse texto porque eu recordo e remoo e eu vejo luz personificada um ser humano que é doce tão quanto o opa mas eu estou começando a reconstituí-lo em um mosaico estrelar colando com maresia e eu estou lembrando aos poucos das lacunas nos escritos sem conseguir esconder mas escondendo a viagem aromática compartilhada porque eu me lembro lembro lembro x100 e o meu toca-discos está louco remetendo àquela música que dura mais de vinte minutos porque nenhum LP que eu possuo tem essa duração toda nem a gente teve por isso dançamos em baixa
rotação baixa rotação baixa rotação chiando e rodando ro dan do r o d a n d o

3 comentários:

  1. muito bom isso aí que tu escreveu! o texto arrasta as palavras até a dissolução de suas próprias imaginéticas, valorizei total! muito bom :)

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