quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

perdi as contas da quilometragem
toda rodada na vida

nessa perda encontrei o perceber
como o da textura dos asfaltos ou barro
que levam a três pontos da rosa dos ventos

como reverberam com o corpo sentado,
o movimento dos seios quando os buracos
as 'estabilidades' do assento

as rodas dos automóveis, sejam novas,

ou o desalinho...

e conheço todos os postos de gasolina

e tomei os piores cafés até perder este hábito

e coloquei entre meus dedos tantos cigarros imaginários na solidão
para não voltar ao hábito
fumei o ar

e senti

o cheiro de carniça tantas vezes
dos animais mortos na beira da estrada

e a estrada,
as desconversas
rodagem
sem encontrar a feiura
nem árvores que chamam pássaros

...

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