segunda-feira, 23 de maio de 2011

O quando virá

Virá a noite, virão os dias e verão de dia no verão ou em qualquer outra, quente, fria, chuvosa o que me prometi. Virá quando o quando vier, quando me virar completamente sem te mirar e sem mudar estarei aqui quando o segundo vier. Estarei radiante, verei o decreto da paz anunciada daquele que quando voou leve, pairou, dançou e se alçou. Sutil compasso, seja ego, eu, egoísta, sobriedade, idade frágil. Fugacidade, peso liberto no quando, futuro escuro, nada em cima do muro soube fazer questão de si. Quando não escolhi nada, nem colhi, mas vi, vivi, delírio sobre três ou quatro quandos, espaçados e despedaçados incuravelmente sensatos, pensados, retraídos, comprimidos, temo esses quadros. Ladras, mas como cão covarde quando quer assustar, não dá efeito, mal feito, imperfeito, não é teu jeito. Mando, envio alguma coisa, não quis pedir bis de tais canções, as mesmas, eu ouço e reescrevo menções que imitas, ou incitas, cada vez que levitas igual a mim. Mas o quando virá, novamente, não o deixo passar, lá d'onde chorar é doce, lembrar é agridoce, encontro é café com adoçante, lua cheia não é irritante. Virá, como frio brando sobre o tempo sussurrando: eis-me aqui, o quando, enquanto passado, à sua disposição.

2 comentários:

  1. Sensibilidade aflora dos seus textos. É sempre um prazer particular ler e viajar com você nesse universo sem futuro que é a cabeça de Maíra Dal'maz.

    Não sou lírico. E não uso ctrl+c, ctrl+v de sites alheios pra parecer bonitinho ou sabido.

    =** e se cuida.

    Anônimo. ;)

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  2. Todo cuidado é pouco, meu caro...

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